Esquadrão da moda
Martha Medeiros
Se a gente souber usar peças que valorizem o que temos de bom e que escondam o que temos de precário, já vale como um antidepressivo leve.
Pra contrabalançar as tragédias dos telejornais, nada como um programinha de tevê totalmente relax. Estou falando do Esquadrão da Moda, que passa e reprisa constantemente no canal fechado People + Arts. É uma produção inglesa. Duas jornalistas, Trinny e Susannah, escolhem uma mulher na rua e a filmam escondido por dias. Analisam todo o seu guarda-roupa (que geralmente é de uma total sem-gracice) e depois oferecem a ela um cheque gordo para que ela troque tudo o que tem no armário. Mas ela tem que seguir as dicas das duas especialistas, senão, nada feito.
O que se vê, a partir daí, é uma transformação absoluta no visual da felizarda. Ela aprende o que lhe caí bem e o que não deve usar de jeito nenhum. Recebe orientação sobre cores, comprimentos, tecidos. E ainda ganha um corte de cabelo rejuvenecedor. Ou seja: entra no programa uma baranga e sai charmosa. Abracadabra da mídia? Não. Abracadabra da autoconfiança. Quando você se olha no espelho e gosta do que vê (coisa que uma pesquisa recente apontou ser raridade entre as mulheres), você passa a caminhar mais ereta, a falar com mais segurança. Muda por dentro também.
O programa não só diverte como é útil. Quem de nós não possui trapos de estimação guardados no armário, aqueles muafos que a gente nunca mais vai usar, mas não consegue jogar fora? Quem não tem suas roupinhas de ficar em casa, mas acaba saindo com elas para ir ao supermercado ou buscar as crianças no colégio? Não é pecado. Aí de mim se fosse, estaria pagando penitências severas, já que sou rainha do básico. Mas até o básico pode ser bem escolhido e operar milagres.
Não é por termos uma profunda vida interior que devemos ignorar o assunto. Nossas roupas revelam se estamos confortáveis dentro do próprio corpo, se estamos de bem com a vida. Caso não estejamos, a troca de visual pode ser um estimulo. Se a gente souber usar peças que valorizem o que temos de bom e que escondam o que temos de precário, já vale como um antidepressivo leve. Não resmungue aí atrás deste seu camisetão extra large. Antes de discordar, faça a experiência. Não é preciso muita grana nem a visita da Trinny e Susannah: temos Xico e Oliver, temos Glória Kalil, temos revistas especializadas, temos informações aos borbotões. É só ficar atenta. Um jeans e uma camisetinha simples (desde que fiquem perfeitos no seu corpo), acrescido de um acessório diferenciado, já ajudam a levantar o ânimo. A regra é: conhece-te a ti mesmo, santa. De costas, inclusive, e de lado também.
Se eu não achasse a coisa mais chata do mundo fazer compras, talvez estivesse num estágio mais avançado. Ao menos deixei de ser tão franciscana e passei a reconhecer a importância de ter um estilo próprio e de não usar roupa para se tapar, e sim para se comunicar. Serei uma aluna eterna, tanto há para aprender ainda. Porém, passei da fase do oh-que-assunto-mais-fútil. Evolui.
Domingo, 12 de dezembro de 2004.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.